O que faz mesmo uma assessoria de imprensa?

Eu vivo e respiro assessoria de imprensa há 30 anos. Por mais que pareçam óbvias as mudanças ocorridas nos últimos anos,  me deparo, frequentemente, com diversas dúvidas e controvérsias de profissionais da área, sobre o que funciona ainda. Afinal, em que novidade apostar e como uma agência de assessoria de imprensa pode ajudar depois da mudança radical na forma de se comunicar com os públicos e com o poder das redes sociais?

Certamente, os profissionais responsáveis pela área de marketing de empresas – não importa o seu tamanho, estão cada vez mais ansiosos por resultados espontâneos, pois todo mundo sabe da importância da divulgação orgânica, quando as pessoas falam de sua marca por admiração e merecimento por vontade própria.  Sem dúvida, a corrida pelo engajamento é agora moeda de ouro. 

Por outro lado, os espaços das mídias tradicionais estão sumindo e o branded content tem sido a salvação não só das mídias tradicionais como de muitos assessores de imprensa. Mas não vamos nos enganar!  Estes espaços são comprados e jamais serão contabilizados como orgânicos. O único problema que vejo nesta questão, é quando as agências não revelam aos seus clientes que são espaços comprados. 

Positivamente,  uma avalanche de novas redes e canais brotam com boas propostas e a possibilidade para as marcas criarem seus próprios canais é pra lá de interessante. Isso também é poder, mas somente quando as pessoas podem participar e opinar. 

Eu acredito, sem dúvida, e já afirmei isso em outros textos, que o mundo está melhorando. Gosto da geração Z, e acredito também, que a automação industrial vai forçar o homem a buscar seu maior propósito: desenvolver sua mente e espírito e criar um mundo mais justo. Mas é incrível como a maioria de nós ainda está adormecida, esperando que as coisas voltem a ser como antes. Sim, quantas partes de nós estão ainda na não-aceitação de que o mundo gira a todo instante e é preciso girar junto? Quantos de nós podemos dizer, de verdade, que estamos em busca de soluções para um mundo mais justo e sustentável? Qual é o preço que aceitamos pagar e qual a nossa contribuição? Estamos de fato construindo este novo mundo ou estamos tentando enganar sutilmente com ações pouco claras e confundindo tudo?

Uma outra parte muito interessante, a dos profissionais modernos e descolados, sabendo da importância de atuar em sintonia com as inovações, segue atirando pra todo lado, sedento por não perder o timing e conquistar mais espaços. Mas é exatamente aqui que nos deparamos com campanhas e resultados que beiram o mal gosto e falta de senso total. O perigo é quase mortal. Uma empresa de 50 anos pode desaparecer em poucos dias em consequência de campanhas pouco pensadas e ponderadas. E isso também conta o inverso. O consumidor também se retrata hoje se causa prejuízo a uma marca indevidamente.  

Como então apostar para acertar? Como escolher os canais certos e desenhar estratégias em um mundo que pede cada vez mais diversidade, respeito, liberdade,  mas dentro de um campo minado com milhares de pessoas que observam atentas cada passo que você dá e que, num piscar de olhos, pode te julgar mal e denegrir sua imagem em questão de segundos?

Neste sentido, o que observo, é o quanto muitos profissionais da área não fazem a lição de casa e, na ambição de inovar, o básico e os processos não são respeitados. Pra começar, as pessoas envolvidas não são escutadas. Existe a pressa, que é lá que mora o milagre do resultado mágico com mínimo esforço possível. Existe também o milagre do resultado que vai dar certo com uma campanha estrondosa e verba minúscula, contando com a generosidade eterna de Deus, sempre!  

Ultimamente, percebo que a sorte nunca foi tão desejada como outrora, não por não se fazer absolutamente nada por falta de recursos, mas ao contrário, pelo empoderamento e liberdade que as redes sociais e o sucateamento de serviços promovido pela crise ou busca pelo estrelato barato dispõem. Como disse uma cliente, já não vivemos mais em tempos líquidos e sim gasoso. 

A lição de casa é o estudo aprofundado do que se propõe, é o “escutar” mais que o  “falar”, é o planejamento apurado e construído em semanas, meses, e não em dois dias. É lembrar da responsabilidade de todos os envolvidos, porque as pessoas não suportam mais mentiras e injustiças. 

É impressionante como, hoje,  as campanhas com modelos da hiper-realidade incomodam mais do que pernilongo zumbindo na orelha a noite toda. As pessoas querem casos reais. A transparência e a verdade é o único valor admirado.  E isso só tende a crescer. 

Na verdade, os canais não importam, porque a única maneira de conquistar os seus públicos é oferecendo ferramentas para serem livres e empoderados  O conteúdo verdadeiro e o respeito da resposta são as grandes apostas. A comunicação transparente com seus clientes e consumidores é a única ferramenta que vai funcionar de fato. Ponto. 

É exatamente assim que as marcas tem ganhado respeito, admiração e reconhecimento. Chegando neste patamar, não há com o que se preocupar, as pessoas vão falar e recomendar suas marcas.  Este relacionamento claro e a habilidade para construir pontes com os públicos, só pode ser desenvolvido por profissionais especializados na arte de se comunicar. A sensibilidade para este entendimento deve ser apurado e qualificado. Estamos falando do importante papel dos relações públicas e os serviços da nova assessoria de imprensa, termo este, que agora, mais do que nunca, deve ser aprimorado para assessoria de comunicação. 

A assessoria de comunicação deve, em primeiro lugar, entender a atuação do seu cliente e o conceito da marca, o DNA, e assim, propor uma estratégia de comunicação, unicamente baseada na forma real de sua atuação. O que vai diferenciar é a criatividade na elaboração de propostas, sempre respeitando todos os envolvidos. 

Estimular este diálogo, entre marcas e seus públicos,  será a grande tarefa das boas agências de comunicação. Simples assim, porém complexo o suficiente para não ser executado por qualquer um, pois envolve direito e deveres. A humanidade parece de fato estar assumindo seu verdadeiro papel. 

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Damaris Lago é CEO da AtitudeCom

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